terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Para que Filosofia?



As evidências do cotidiano


Em nossa vida cotidiana, afirmamos, negamos, desejamos, aceitamos ou
recusamos coisas, pessoas, situações. Fazemos perguntas como “que horas são?”,
ou “que dia é hoje?”. Dizemos frases como “ele está sonhando”, ou “ela ficou
maluca”. Fazemos afirmações como “onde há fumaça, há fogo ”, ou “não saia na
chuva para não se resfriar”. Avaliamos coisas e pessoas, dizendo, por exemplo,
“esta casa é mais bonita do que a outra” e “Maria está mais jovem do que Glorinha”.
Numa disputa, quando os ânimos estão exaltados, um dos contendores pode
gritar ao outro: “Mentiroso! Eu estava lá e não foi isso o que aconteceu”, e
alguém, querendo acalmar a briga, pode dizer: “Vamos ser objetivos, cada um
diga o que viu e vamos nos entender”.
Também é comum ouvirmos os pais e amigos dizerem que somos muito
subjetivos quando o assunto é o namorado ou a namorada. Freqüentemente,
quando aprovamos uma pessoa, o que ela diz, como ela age, dizemos que essa
pessoa “é legal ”.
Vejamos um pouco mais de perto o que dizemos em nosso cotidiano.
Quando pergunto “que horas são?” ou “que dia é hoje?”, minha expectativa é a
de que alguém, tendo um relógio ou um calendário, me dê a resposta exata. Em
que acredito quando faço a pergunta e aceito a resposta? Acredito que o tempo
existe, que ele passa, pode ser medido em horas e dias, que o que já passou é
diferente de agora e o que virá também há de ser diferente deste momento, que o
passado pode ser lembrado ou esquecido, e o futuro, desejado ou temido. Assim,
uma simples pergunta contém, silenciosamente, várias crenças não questionadas
por nós.
Quando digo “ele está sonhando”, referindo-me a alguém que diz ou pensa
alguma coisa que julgo impossível ou improvável, tenho igualmente muitas
crenças silenciosas: acredito que sonhar é diferente de estar acordado, que, no
sonho, o impossível e o improvável se apresentam como possível e provável, e
também que o sonho se relaciona com o irreal, enquanto a vigília se relaciona
com o que existe realmente.
Acredito, portanto, que a realidade existe fora de mim, posso percebê-la e
conhecê-la tal como é, sei diferenciar realidade de ilusão.
A frase “ela ficou maluca” contém essas mesmas crenças e mais uma: a de que
sabemos diferenciar razão de loucura e maluca é a pessoa que inventa uma
realidade existente só para ela. Assim, ao acreditar que sei distinguir razão de
loucura, acredito também que a razão se refere a uma realidade que é a mesma
para todos, ainda que não gostemos das mesmas coisas.
Quando alguém diz “onde há fumaça, há fogo” ou “não saia na chuva para não se
resfriar”, afirma silenciosamente muitas crenças: acredita que existem relações de
causa e efeito entre as coisas, que onde houver uma coisa certamente houve uma
causa para ela, ou que essa coisa é causa de alguma outra (o fogo causa a fumaça
como efeito, a chuva causa o resfriado como efeito). Acreditamos, assim, que a
realidade é feita de causalidades, que as coisas, os fatos, as situações se
encadeiam em relações causais que podemos conhecer e, até mesmo, controlar
para o uso de nossa vida.
Quando avaliamos que uma casa é mais bonita do que a outra, ou que Maria está
mais jovem do que Glorinha, acreditamos que as coisas, as pessoas, as situações,
os fatos podem ser comparados e avaliados, julgados pela qualidade (bonito, feio,
bom, ruim) ou pela quantidade (mais, menos, maior, menor). Julgamos, assim,
que a qualidade e a quantidade existem, que podemos conhecê-las e usá-las em
nossa vida.
Se, por exemplo, dissermos que “o sol é maior do que o vemos”, também
estamos acreditando que nossa percepção alcança as coisas de modos diferentes,
ora tais como são em si mesmas, ora tais como nos aparecem, dependendo da distância, de nossas condições de visibilidade ou da localização e do movimento
dos objetos.
Acreditamos, portanto, que o espaço existe, possui qualidades (perto, longe, alto,
baixo) e quantidades, podendo ser medido (comprimento, largura, altura). No
exemplo do sol, também se nota que acreditamos que nossa visão pode ver as
coisas diferentemente do que elas são, mas nem por isso diremos que estamos
sonhando ou que ficamos malucos.
Na briga, quando alguém chama o outro de mentiroso porque não estaria dizendo
os fatos exatamente como aconteceram, está presente a nossa crença de que há
diferença entre verdade e mentira. A primeira diz as coisas tais como são,
enquanto a segunda faz exatamente o contrário, distorcendo a realidade.
No entanto, consideramos a mentira diferente do sonho, da loucura e do erro
porque o sonhador, o louco e o que erra se iludem involuntariamente, enquanto o
mentiroso decide voluntariamente deformar a realidade e os fatos.
Com isso, acreditamos que o erro e a mentira são falsidades, mas diferentes
porque somente na mentira há a decisão de falsear.
Ao diferenciarmos erro de mentira, considerando o primeiro uma ilusão ou um
engano involuntários e a segunda uma decisão voluntária, manifestamos
silenciosamente a crença de que somos seres dotados de vontade e que dela
depende dizer a verdade ou a mentira.
Ao mesmo tempo, porém, nem sempre avaliamos a mentira como alguma coisa
ruim: não gostamos tanto de ler romances, ver novelas, assistir a filmes? E não
são mentira? É que também acreditamos que quando alguém nos avisa que está
mentindo, a mentira é aceitável, não seria uma mentira “no duro”, “pra valer”.
Quando distinguimos entre verdade e mentira e distinguimos mentiras
inaceitáveis de mentiras aceitáveis, não estamos apenas nos referindo ao
conhecimento ou desconhecimento da realidade, mas também ao caráter da
pessoa, à sua moral. Acreditamos, portanto, que as pessoas, porque possuem
vontade, podem ser morais ou imorais, pois cremos que a vontade é livre para o
bem ou para o mal.
Na briga, quando uma terceira pessoa pede às outras duas para que sejam
“objetivas” ou quando falamos dos namorados como sendo “muito subjetivos”,
também estamos cheios de crenças silenciosas. Acreditamos que quando alguém
quer defender muito intensamente um ponto de vista, uma preferência, uma
opinião, até brigando por isso, ou quando sente um grande afeto por outra pessoa,
esse alguém “perde” a objetividade, ficando “muito subjetivo”.
Com isso, acreditamos que a objetividade é uma atitude imparcial que alcança as
coisas tais como são verdadeiramente, enquanto a subjetividade é uma atitude
parcial, pessoal, ditada por sentimentos variados (amor, ódio, medo, desejo).
Assim, não só acreditamos que a objetividade e a subjetividade existem, como ainda acreditamos que são diferentes e que a primeira não deforma a realidade,
enquanto a segunda, voluntária ou involuntariamente, a deforma.
Ao dizermos que alguém “é legal ” porque tem os mesmos gostos, as mesmas
idéias, respeita ou despreza as mesmas coisas que nós e tem atitudes, hábitos e
costumes muito parecidos com os nossos, estamos, silenciosamente, acreditando
que a vida com as outras pessoas - família, amigos, escola, trabalho, sociedade,
política - nos faz semelhantes ou diferentes em decorrência de normas e valores
morais, políticos, religiosos e artísticos, regras de conduta, finalidades de vida.
Achando óbvio que todos os seres humanos seguem regras e normas de conduta,
possuem valores morais, religiosos, políticos, artísticos, vivem na companhia de
seus semelhantes e procuram distanciar-se dos diferentes dos quais discordam e
com os quais entram em conflito, acreditamos que somos seres sociais, morais e
racionais, pois regras, normas, valores, finalidades só podem ser estabelecidos
por seres conscientes e dotados de raciocínio.
Como se pode notar, nossa vida cotidiana é toda feita de crenças silenciosas, da
aceitação tácita de evidências que nunca questionamos porque nos parecem
naturais, óbvias. Cremos no espaço, no tempo, na realidade, na qualidade, na
quantidade, na verdade, na diferença entre realidade e sonho ou loucura, entre
verdade e mentira; cremos também na objetividade e na diferença entre ela e a
subjetividade, na existência da vontade, da liberdade, do bem e do mal, da moral,
da sociedade.

Fonte: Chaui, Marilena. Convite à filosofia, introdução.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Alguns tipos de filosofia - parte 2

Filosofia da linguagem

Filosofia da linguagem é o ramo da filosofia que estuda a essência e natureza dos fenômenos linguísticos. Uma das principais características da filosofia da linguagem é a maior diferença entre o ser humano e os outros seres que existem no mundo. Ela trata, de um ponto de vista filosófico, da natureza do significado linguístico, da referência, do uso da linguagem, do aprendizado da linguagem, da criatividade dos falantes, da compreensão da linguagem, da interpretação, da tradução, de aspectos linguísticos do pensamento e da experiência.

 As principais questões investigadas pela disciplina são:



  •  Como as frases compõem um todo significativo? O que é o significado das "partes" (palavras) das frases?
  • Qual a natureza do significado? O que é o significado?
  • O que fazemos com a linguagem? Como a usamos socialmente? Qual sua finalidade?
  • Como a linguagem se relaciona com a mente do falante e do intérprete?
  • Como a linguagem se relaciona com o mundo?
Os filósofos da linguagem não se ocupam muito do que significam palavras ou frases individuais. Qualquer dicionário ou enciclopédia podem resolver o problema do significado das palavras. O mais interessante é o que significa para uma palavra ou frase significar alguma coisa. Por que as expressões têm os significados que têm? Como uma expressão pode ter o mesmo significado de outra? E, principalmente: qual o significado de "significado"?
A filosofia da linguagem investiga a relação entre o significado e a verdade. Frases sem significado podem ser verdadeiras ou falsas? E as frases sobre coisas que não existem, como o Papai Noel (Pai Natal)? Quando dizemos que algo é verdade, o que é verdadeiro? A frase?
A questão do aprendizado da linguagem levanta algumas questões interessantes. É possível haver pensamento sem linguagem? O quanto a linguagem influencia o conhecimento do mundo. É possível raciocinar sem linguagem? Entre outras. 


Filosofia da linguística 

A Filosofia da Linguística é um ramo da Filosofia da Ciência voltado especificamente à Linguística. Trata-se de um campo de estudos à Filosofia da Física, a Filosofia das Ciências da Vida, à Filosofia da Matemática, etc. Esta resposta nos deixa, no entanto, com a necessidade de dizer o que é a Filosofia da Ciência, área dos estudos filosóficos de que a Filosofia da Linguística faz parte.
E o que é, então, a Filosofia da Ciência?
Filosofia da Ciência é a aplicação de métodos filosóficos a problemas filosóficos que surgem no contexto dos estudos científicos. Embora essa não seja uma caracterização muito elucidativa, ela nos permite dividir a questão inicial em questões menores e (relativamente) mais fáceis de responder: o que é ciência? Que são problemas filosóficos? Quais são os métodos filosóficos? Como esses problemas surgem em diferentes campos - e em diferentes estágios - da investigação científica? 


                                                                                                                            José Borges Neto


Filosofia da religião 

A Filosofia da Religião é uma das divisões da filosofia. Tem por objetivo o estudo da dimensão espiritual do homem desde uma perspectiva filosófica (metafísica, antropológica e ética), indagando e pesquisando sobre a essência do fenômeno religioso. Em síntese, sua pergunta fundamental é: "O que é, afinal, a religião?".
Para o estudo da filosofia da religião são usados os métodos histórico-crítico comparativo, o filológico e o antropológico. O primeiro deles compara as várias religiões no tempo e no espaço, em busca de seus aspectos mais comuns e suas diferenças, para verificar o que constitui a essência do fenômeno religioso. O segundo faz o estudo comparativo das línguas, visando encontrar as palavras utilizadas para descrever e expressar o sagrado e suas raízes comuns. O terceiro método procura reconstruir o passado religioso tendo por base a etnologia (estudo dos povos primitivos e atuais, suas instituições, crenças, rituais e tradições). A Filosofia da Religião deve fazer uma adequada conjugação desses métodos "para obter a melhor soma de elementos para chegar à conclusão mais correta sobre a essência da religião e suas características universais."


 Filosofia do direito 

A Filosofia do Direito é o campo de investigação filosófica que tem por objeto o Direito. Ela pode ser definida como o conjunto de respostas à pergunta “o que é o direito?”, ou ainda como o entendimento da natureza e do contexto do empreendimento jurídico.
A Filosofia do Direito coloca para si mesma a permanente pergunta acerca dos objetivos, finalidades e metas que precisa alcançar a fim de ser significativa e oferecer uma contribuição específica e diferenciada aos acadêmicos e profissionais do Direito. De qualquer modo à Filosofia do Direito compete oferecer ao acadêmico e ao profissional do Direito a possibilidade de pensar e re-pensar de forma crítica os diversos elementos que compõem o vasto universo jurídico.  


Filosofia analítica  

A Filosofia analítica é uma vertente do pensamento contemporâneo, reivindicada por filósofos bastante diferentes, cujo ponto comum é a ideia de que a filosofia é análise - a análise do significado dos enunciados - e se reduz a uma pesquisa sobre a linguagem.
Os primeiros filósofos analíticos foram Frege, Russell, George Edward Moore e Ludwig Wittgenstein.  Há várias correntes dentro da filosofia analítica; dentre elas, o positivismo lógico, que se distingue pela rejeição de toda e qualquer metafísica. Neste contexto, convém destacar o Círculo de Viena, de corte neopositivista, fundado por Moritz Schlick e constituído por filósofos e lógicos austríacos e alemães: Carnap, eventualmente Hans Reichenbach e, em seus primeiros tempos, Wittgenstein. Suas teses foram proclamadas num manifesto, Concepção científica do mundo. 


Filosofia da física 

Considerando-se que a Física sempre esteve associada à Filosofia Natural desde a antiguidade até tempos mais recentes, pode-se considerar que a Filosofia da Física seja a mais antiga disciplina filosófica da história. A reflexão humana sobre o mundo físico precedeu historicamente a reflexão sobre a natureza de nossos próprios pensamentos e de nossas interações sociais com outros seres humanos. No entanto, Filosofia da Física, como disciplina, surge durante o Renascimento e começa a ser aprofundada durante o Iluminismo, tendo um caráter mais epistemológico com o avançar dos séculos.
A Filosofia da Física envolve uma combinação de assuntos conceituais, metodológicos, epistemológicos e até mesmo metafísicos. Um dos primeiros estudos da Filosofia da Física foi refletir que a Física lida com os componentes mais fundamentais do Universo. Surge daí um pensamento onde possivelmente tudo deva ser reduzido a isso; surge então o determinismo científico, onde tudo que existe não passa de simples partículas e que os movimentos destas são para sempre determinados quando se mensuram as posições e as velocidades de todas as partículas no momento atual.
Os cientistas em Física usam o método científico para validar uma teoria, usando uma aproximação metodológica para comparar as implicações da teoria com as conclusões obtidas de experimentos e observações especialmente conduzidos para testar a teoria. Os experimentos e observações são feitos com propósito pré-definido, para se coletar e comparar os dados obtidos por estes com as previsões e teses feitas por um físico teórico, assim ajudando na validade ou não de uma teoria.
 


 Filosofia da biologia

Filosofia da biologia (raramente chamada de Biofilosofia) é um subramo da Filosofia da Ciência, e contém inserida nela a Epistemologia, a Metafísica e a Ética; e a biofilosofia é um ramo das Ciências Biológicas e Ciências Biomédicas. Apesar de os Filósofos das Ciências e Filósofos em geral estarem há muito tempo interessados em biologia (Aristóteles, Descartes e também Kant), a filosofia da biologia apareceu apenas como um campo independente da filosofia nas décadas de 1960 e 1970, quando os filósofos das ciências começaram suas pesquisas com o desenvolvimento da biologia, desde o nascimento do Neodarwinismo nas décadas de 1930 e 1940, e com a descoberta da estrutura do Ácido desoxirribonucleico em 1953 até os mais recentes avanços na Engenharia genética.
Atualmente, a Filosofia da Biologia tornou-se visível, como uma ciência bem fundamentada - com seus próprios jornais, conferências e organizações profissionais. Geralmente, esses autores poderiam ser vistos como seguidores da tradição Empírica, favorecendo as teorias Naturalistas e Psicanalista sobre os seus correlativos. Muitos filósofos contemporâneos da biologia estão se esquivando das tradicionais discussões sobre as distinções entre vida e não-vida. Ao invés disso, eles examinam as práticas, teorias, e conceitos dos biólogos em vista de um melhor entendimento da Biologia como uma disciplina científica (ou grupos de ramos científicos).


Antropologia filosófica 

A Antropologia Filosófica é a antropologia encarada metafisicamente; é um ramo da filosofia que investiga a estrutura essencial do Homem. No entanto, este ocupa o centro da especulação filosófica, sendo que tudo se deduz a partir dele; a partir dele se tornam acessíveis as realidades, que o transcendem, nos modos de seu existir relacionados com essas realidades. Ou seja, a antropologia filosófica é uma antropologia da essência e não das características humanas. Ela se distingue da antropologia mítica, poética, teológica, e científico natural ou evolucionista por dar uma interpretação basicamente ontológica do homem.

Boa Tarde, gente este post é continuação do último artigo que eu postei, ok?Beijos e boa leitura pra vocês :) :*
Ah e se tiverem alguma dúvida deixem nos comentários ou entre em contato >> jeniferbelles@gmail.com <<

Fonte: www.wikipedia.com - www.âmbitojuridico.com.br

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Alguns tipos de filosofia

Filosofia greco-romana 

A filosofia greco-romana foi a maneira com que os antigos gregos e romanos sistematizaram, nos últimos cinco séculos antes de Cristo, uma forma de conhecimento, um modo de reflexão ou uma teoria da realidade. Esta filosofia pode ser classificada em dois períodos: o cosmológico e o antropológico clássico.

Período Cosmológico

Os mitos gregos são marcadamente concebidos com características semelhantes ao mundo, relações e modos de vida dos homens daquele tempo. Houve entre os gregos uma imensa tradição mitológica oral, que mais tarde foi sistematizado por Homero em suas duas grandes obras: Ilíada e Odisseia. Este saber mitológico "explicava", para a época e para aquele momento histórico, as principais questões da existência humana, da natureza e da sociedade. Explicava a origem dos reis, a própria origem dos homens, a origem do povo grego, das guerras, dos amores, das doenças, enfim, de toda a riqueza de sua cultura. A síntese do mito e a consciência mitológica justificam as estruturas sociais e cimentam as relações de trabalho, parentesco e política entre os gregos.

Período antropológico / clássico

A filosofia, como ciência e atividade humana, no início foi produzida por homens situados em determinados momentos históricos. Nas cidades gregas, aos poucos, a filosofia vai ganhando sua identidade e tomando diferentes funções sociais. A Grécia, após ter passado pela era primitiva, tribal, e pelo período político denominado pólis, que significa cidade-estado, alcançou sua autonomia e independência. Segundo J.P. Vernant, há uma relação entre o surgimento da filosofia e da cidade-estado.na mitologia a filosofia significa o "saber" da Grécia rural, de tradição oral, esparsa e popular, com a instituição da pólis essa filosofia se traduz em uma nova ideologia, uma visão melhor do mundo, mais racional e organizada.. Os filósofos deste período, a começar com os sofistas, cobravam para ensinar; criaram uma nova temática para a filosofia: O Homem, capaz de conhecer. Os filósofos, a começar por Tales de Mileto, passaram pensar, questionar a realidade que os cercava. Passaram a perguntar: por que o Sol aparece no nascente e se põe no poente? Por que acontece o trovão? Será que os acontecimentos da natureza são obra de deuses, ou é possível encontrar uma explicação racional, natural para tudo o que acontece?

Filosofia medieval 

Durante a Idade Média, aconteceu um sincretismo entre as crenças religiosas e o conhecimento clássico. Assim, os filósofos medievais foram influenciados pelas obras de Aristóteles, que foram conservadas e traduzidas pelos árabes Averróis e Avicena. Platão também influenciou o pensamento medieval. Porém, os filósofos da época só conheciam o neoplatônico, pela Filosofia de Plotino do século VI d.C.
A Filosofia medieval abrange o período que vai do século VIII ao século XIV. Durantes esses anos, houve diversos pensadores árabes, europeus e judeus. Uma das características deste período era o domínio da Igreja Romana sobre a Europa, organizando Cruzadas à Terra Santa, sagrando e coroando reis. Outro fator importante foi que a Filosofia medieval passou a ser lecionada nas escolas, ficando conhecida pelo nome de Escolástica, método de pensamento que dominou o ensino entre os anos de 1100 a 1500 d.C.

Patrística (I d.C – VII d.C)

É um período que se caracteriza pelo resultado dos esforços dos apóstolos (João e Paulo) e dos primeiros Padres da Igreja para conciliar a nova religião com o pensamento filosófico mais corrente da época entre os gregos e os romanos. Não obstante, tomou como tarefa a defesa da fé cristã, frente as diversas críticas advindas de valores teóricos e morais dos “antigos”.

Filosofia Medieval (VIII d.C – XIV d.C)

Período bastante influenciado pelo pensamento socrático e platônico. Ocupou-se em discutir e problematizar Questões Universais. É nesse período que o pensamento cristão firma-se como "Filosofia Cristã", que mais tarde se torna [Teologia].

Renascença (XIV d.C – XVI d.C)

É marcada pela descoberta de obras de Platão desconhecidas na Idade Média e novas obras de Aristóteles, ainda temos a recuperação de trabalhos de grandes autores e artistas gregos e romanos. As linhas de pensamento são:  Neoplatonismo e Hermetismo; Pensamentos florentinos e por fim o Antropocentrismo iniciático (homem dono do seu destino).
Foi um período marcado por uma efervescência teórica prática, alimentada principalmente por descobertas marítimas e crises politico-culturais que culminaram em profundas críticas à Igreja Católica, que logo evoluíram para Reforma Protestante (a Igreja Católica responde com a Contra-Reforma e com a Inquisição).

Filosofia moderna

Filosofia moderna é toda a filosofia que se desenvolveu durante os séculos XV, XVI, XVII, XVIII, XIX; começando pelo Renascimento e se estendendo até meados do século XIX, mas a filosofia desenvolvida dentro desse período está fragmentada em vários subtópicos, e escolas de diferentes períodos.
Na modernidade passou-se a delinear melhor os limites do estudo filosófico. Inicialmente, como atestam os subtítulos de obras tais como as Meditações de René Descartes e o Tratado de George Berkeley, ainda se fazia referência a questões tais como a da prova da existência de Deus e da existência e imortalidade da alma. 


Filosofia contemporânea

A Filosofia do século XX trouxe uma série de desenvolvimentos teóricos contrários em relação ao que se refere a validade do conhecimento através de conceitos e abstrações absolutas, isto é, afirmações universais ou leis gerais.
Entretanto, essa filosofia era demasiado diferente para que se possa fixar um padrão, que não seja uma série de tentativas de reformar, preservar ou alterar os limites antes concebidos.
Novos estudos na filosofia da ciência, Filosofia da matemática, Epistemologia acrescentaram aparentemente tendências antagônicas na contabilidade da consciência e seus objetos, como expresso nas profundas diferenças entre filosofia analítica e continental, as quais tiveram lugar em fundações, no início do século.


Filosofia da ciência 

Filosofia da ciência é o campo da pesquisa filosófica que estuda os fundamentos, pressupostos e implicações filosóficas da ciência, incluindo as ciências naturais como física e biologia, e as ciências sociais, como psicologia e economia. Neste sentido, a filosofia da ciência está intimamente relacionada à epistemologia e à ontologia.
Mais do que tentar explicar, tenta problematizar os seguintes aspectos:

  •     a natureza das afirmações e conceitos científicos,
  •     a forma como são produzidos,
  •     os meios para determinar a validade da informação,
  •     como a ciência explica, prediz e, através da tecnologia, domina a natureza,
  •     a formulação e uso do método científico,
  •     os tipos de argumentos usados para chegar a conclusões,
  •     as implicações dos métodos e modelos científicos para a sociedade e para as próprias ciências.

Filosofia da mente  

Filosofia da mente é o estudo filosófico dos fenômenos psicológicos, incluindo investigações sobre a natureza da mente e dos estados mentais em geral. A filosofia da mente envolve estudos metafísicos sobre o modo de ser da mente, sobre a natureza dos estados mentais e sobre a consciência.
Envolve estudos epistemológicos sobre o modo como a mente conhece a si mesma e sobre a relação entre os estados mentais e os estados de coisa que os mesmos representam (intencionalidade), incluindo estudos sobre a percepção e outros modos de aquisição de informação, como a memória, o testemunho (fundamental para a aquisição da linguagem) e a introspecção.
A investigação filosófica sobre a mente não implica nem pressupõe que exista alguma entidade—uma alma ou espírito—separada ou distinta do corpo ou do cérebro, e está relacionada a vários estudos da ciência cognitiva, da neurociência, da linguística e da inteligência artificial.


Filosofia da matemática

Filosofia da Matemática é um ramo da filosofia que tem como propósito responder perguntas do porte de:
  •     Qual a origem dos objetos matemáticos?
  •     Qual o relacionamento entre Lógica e Matemática.
  •     Qual a influência da experiência sobre as abstrações matemáticas?
  •     Como definir o conceito de beleza e elegância que matemáticos associam às demonstrações?
  •     Que raciocínios matemáticos podem ser considerados pensamentos sintéticos à priori, no contexto da filosofia kantiana?

Fonte: www.wikipedia.com - www.infoescola.com